sábado, 5 de julho de 2014

Meu pequeno observatório...



   
Onde começamos.

     Lá nos primórdios, eu sentava na janela de nossa casa, no número 670 da Napoleão Lima. Era 1982. Passava minutos por lá. Olhando o movimento das pessoas e carros, mas sem tirar a cabeça do céu. A rua se estendia de Leste à Oeste e eu tinha uma boa visão do Sul.
     Todo primeiro semestre, quando chovia, não havia muito o que fazer neste admirar. No máximo era apreciar o piscar dos relâmpagos ou me comover com o som maravilhoso dos trovões.
     Nas noites limpas eu vez por outra identificava o cruzeiro do sul. Mas ara meus olhos era sempre uma grande raia, uma pipa que girava e sumia.
     Aquela era a época ideal para se ver um Universo do tamanho da rua. Onde ir á Fortaleza era uma viagem insólita. Era o tempo certo para se questionar com o espírito desarmado. E assim foi.
     As estrelas eram pequenos sóis. O trovão surgia do choque entre nuvens pesadas. A Terra já girava sobre si mesma. Mas a serra de minha cidade era apenas uma espécie de mural.
     Os binóculos que eu tinha, além de não ampliar nada, distorciam cores e formas. Eram inúteis. E qualquer tentativa minha de observar a Lua ou estrelas vinha com o complemento sonoro: - Isso é um brinquedo. Não serve pra nada!
     Em algumas épocas do ano fazia sol em nossa calçada e em outros tempo, não. Este movimento era responsabilidade inteiramente do Sol.
     Ali, em 1982, a Terra era quase do tamanho de meu bairro. Mas o céu, este não. Já estava a meio caminho do infinito.

Meu pai visitando meu "observatório"



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