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| Onde começamos. |
Lá nos primórdios, eu sentava na janela de nossa casa, no número 670 da Napoleão Lima. Era 1982. Passava minutos por lá. Olhando o movimento das pessoas e carros, mas sem tirar a cabeça do céu. A rua se estendia de Leste à Oeste e eu tinha uma boa visão do Sul.
Todo primeiro semestre, quando chovia, não havia muito o que fazer neste admirar. No máximo era apreciar o piscar dos relâmpagos ou me comover com o som maravilhoso dos trovões.
Nas noites limpas eu vez por outra identificava o cruzeiro do sul. Mas ara meus olhos era sempre uma grande raia, uma pipa que girava e sumia.
Aquela era a época ideal para se ver um Universo do tamanho da rua. Onde ir á Fortaleza era uma viagem insólita. Era o tempo certo para se questionar com o espírito desarmado. E assim foi.
As estrelas eram pequenos sóis. O trovão surgia do choque entre nuvens pesadas. A Terra já girava sobre si mesma. Mas a serra de minha cidade era apenas uma espécie de mural.
Os binóculos que eu tinha, além de não ampliar nada, distorciam cores e formas. Eram inúteis. E qualquer tentativa minha de observar a Lua ou estrelas vinha com o complemento sonoro: - Isso é um brinquedo. Não serve pra nada!
Em algumas épocas do ano fazia sol em nossa calçada e em outros tempo, não. Este movimento era responsabilidade inteiramente do Sol.
Ali, em 1982, a Terra era quase do tamanho de meu bairro. Mas o céu, este não. Já estava a meio caminho do infinito.
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| Meu pai visitando meu "observatório" |


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